quinta-feira, 9 de março de 2017

Toca em frente

Aeroportos me deixam nervosa.
Na falta de um adjetivo melhor para este estado de excitação onde a liberdade do vôo próximo e o poder partir alegram e ativam a cabeça.
Imagino que não é assim para os que tem que deixar um país em situações nefastas.
Um dia deixaram a janela do passarinho aberta e ele fugiu.
Situaçōes criadas pela TV sempre aberta do aeroporto me enervam.
A idiotice difundida pelo cenário da senhora enxuta de fala mole entre amarelos e azuis não me seduz, me irrita. É o cânone matutino de instrução em massa cheiroso e doce, doce, doce, docemente hostil.
Tentaram dar uma ração com mel pro passarinho e ele recusou.
Passarinho tinha vivido fora já e seus olhos ainda ardiam.
Se esse cheiro e essas falas babacas de alinhamento na TV não me pegaram é porque eu estava escrevendo a estória do passarinho, livre que fugiu da gaiola.
Passo os olhos nela e vejo mulheres, e véus voando livremente, que gentil é a sociedade brasileira, que adorável é a maquiagem iraniana.
Não vou pôr a torta no forno.
Olho pro céu azul claro.
Que pena ir embora dessa beira de rio.
Vento, vento, se eu me chamasse Maria da Luz seria uma solução?
Estaria com os pés na terra e poderia ficar olhando o verde passar.
Voa passarinho, voa.